made in dreams
I like to help my memory with pictures.
Algumas lembranças, os meus fantasmas me dizendo "Buh!"
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Deserto de almas
A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas". O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista de presente, bookmaker, bicho, endereço de cartomante, clips no relógio de ponto(...)
Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.
Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Durante a semana
Durante a semana eu penso no meu desastre, e penso em organizar e renovar o estoque da loja, e penso em no meu desastre, e penso nos próximos acontecimentos de Game of Thrones e em Orange is the new black, que comecei a ler semana passada. E penso em no meu desastre, e penso no transito que eu preciso enfrentar só mais um dia e na cotação do euro. E penso também no meu desastre, e penso que tenho passado tempo demais aqui dentro dessa porra.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
É como dar leite num pires raso a um gatinho doente
Alimentar esse envolvimento com pequenos encontros e gestos enigmáticos é um sopro de vida, no entanto qualquer esperto consegue ver que não vai dar em nada, que a coisa toda vai morrer até mesmo antes de chegar ao fim.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Diário de Bordo - Ilha Grande RJ
Dia 27 - Nós fomos pro barco na noite pra dormir e zarpar as 04:00 da manhã.
Primeiro pôr do sol a bordo, as 6:00 am
Acordei as 8:00 para o primeiro café da manhã a bordo e pela frente mais umas 3:00 horas velejando até chegar na Ilha Grande.
Dia 28 - Mergulhamos na praia dos Meros,onde no ano passado era proibido desce do barco e ancorar. Quando chegamos não tinha nenhum aviso, descemos e passamos o dia.
Ancoramos na Enseada Sítio do Forte pra passar a noite.
Dia 29 - Depois de passar a noite no Sítio do Forte, abastecemos o barco de água, eu acordei lá pelas 07:00 e quando olhei pela vigia do banheiro, vi a Fernanda fora do barco, tentando juntar duas mangueiras de água e tomando um banho logo cedo. Seguimos para a Lagoa Azul, eu estava louca pra mergulhar com os peixinhos multi coloridos, mas a água estava turva e não dava pra ver nada. Fora o movimento intenso de lanchas e jets, dava bastante medo de ficar na água. Fomos pro Saco do Céu, lugar estupidamente lindo, e a água mais quente (e salgada) até agora. Depois fomos para a Vila do Abraao. Assim que pisamos na areia encontramos um filhote de cachorro e andamos a vila inteira atrás de alguém pra adotar, conhecemos nativos, turistas, filhos de um hippie com nomes cheios de significados e um CALOR absurdo. "Rio 40 graus" nunca fez tanto sentido. Descobrimos que ia rolar um show do Detonautas, providenciamos nossos banhos rápidos a bordo e fomos de bote pra Vila mas o show foi cancelado. Tomamos cerveja num bar chamado Brasil que rola música boa e terminamos num luau na praia.
Dia 30 - Depois de passar a noite ancorados na Vila do Abraao seguimos pra Praia da Feiticeira, lugar bonito e tranquilo, ao contrário da Lagoa Azul onde o movimento de barcos, lanchas e jets era intenso. Nadando deu pra ver peixinhos agulha, sargentinhos e cofrinho. Depois seguimos pra Angra dos Reis. Paramos na marina pra comer e mergulhar na piscina, água doce nessa viagem é luxo, depois de três dias no mar tudo que eu mais queria era um banho normal e razoavelmente demorado. Andamos até uma venda pra comprar gelo, água e bebida, confesso que não achei Angra tão bonita quando a que eu criei na minha imaginação. Fiquei enquanto pude na piscina e tomamos banho no vestiário da marina. Jantamos a bordo, passamos a noite em Angra sem decidir onde vamos passar a noite de reveillon.
As luzes de Angra
Dia 31 - Assim que eu acordei fui caminhar na praia, eu sabia que logo iríamos zarpar de Angra e como presente da mãe natureza, no último dia do ano deu pra ver embaixo do pier uma tartaruga comendo tranquilamente. Fomos abastecer o barco de combustível, chegando no posto paramos do lado da lancha do Neymar, batizada de Nadina, um marinheiro disse que ele havia acabado de brigar com a namorada e saído de helicóptero. Fomos no shopping Piratas pra comprar comida pra noite de ano novo. Depois de alguns dias no mar quando nós ficamos em terra eu passo um bom tempo mareando. As compras foram rápidas e logo fomos pro Sítio Forte pra abastecer de água mas a fila de barcos pra abastecer era grande e o calor estava insuportável pra ficar esperando e seguimos pra Ilha das Botinas, o trânsito no mar é muito mais tranquilo que em terra e muito mais amigável também, as pessoas se ajudam e cumprimentam. Ganhei inúmeros acenos de barcos brasileiros e argentinos, mas também tem muitos babacas que não respeitam avisos e área de mergulho e banhistas. A Ilha estava bem movimentada mas deu pra ver muitos peixinhos.Como no primeiro dia eu cortei meu dedo em um coral, fiquei com medo depois sempre que me aproximava pra ver os peixes. Mesmo com muito protetor 50 eu preciso tomar cuidado com o sol, pouco tempo e eu ja ganho um tom rosado de pele, que por causa do protetor não arde e logo ganha cor de bronze, se é que eu posso chamar assim, porque particularmente eu acho horrível aquela cor de frango assado.
Como não rolou abastecer voltamos pra Vila do Abraao, almoçamos a bordo e depois do jantar fomos de taxi boat pra Vila, ver a queima de fogos e pular sete ondinhas, os fogos foram bonitos, brindamos o ano novo, mas eu não me ligo muito em comer sete sementes de uva ou qualquer tipo de coisa, acho importante renovar as metas, fazer um balanço das escolhas que eu tenho feito, decidir o que eu não quero mais na minha vida e fazer aquelas promessas difíceis de cumprir, comer bem, fazer exercício físico e ser legal com todo mundo. Encontramos muitos gringos todas as vezes que fomos pra Vila, eu não falo espanhol e me peguei em uma situação curiosa respondendo em inglês sempre que falavam comigo em espanhol. E já que um ano novo está começando, aprender espanhol vai entrar na lista. Ainda não sei pra onde vamos amanhã mas cada dia tem sido uma surpresa e um aprendizado enorme sobre muitos aspectos.
Dia 01 - Depois de passar a noite ancorados na Vila do Abraao, fomos de bote até a Vila pra deixar o lixo com os recolhedores, na volta o bote afogou com gasolina e tivemos que voltar a remo, embaixo de um sol e céu sem nuvens. Era quase o bote das aventuras de Pi, só que sem o tigre e com três garotas. O calor estava insuportável, então resolvemos pular na água e empurrar o bote, funcionou mas logo apareceu um cara oferecendo um reboque, difícil foi voltar pro bote, eu não sou nada sagaz pra esforços físicos (sedentarismo mandou beijo). Fomos pro Sitio forte e abastecemos com água, um tanque ja estava vazio e o outro com menos da metade. Almoçamos a bordo, e passamos um bom tempo na água em nossas bóias com as nossas respectivas caipirinhas e cervejas. Depois seguimos pro Saco do Céu pra passar a noite, demos uma volta de bote e vimos várias tartarugas, as meninas encontraram uma ducha pra tomar banho na compahia de varios caranguejos e eu aproveitei pra tomar um banho um pouco mais demorado no barco. A noite dava pra ver planctons na água, eu fiquei encantada com aquele "glitter" saindo da minha mão toda vez que eu mexia na água, ou com o desenho de galáxia que formava quando eu mexia a mão em círculos. O céu não estava tão limpo pra ver as estrelas, mas dava pra ver algumas, dizem que em noites claras as estrelas refletem na água. Por conta de uma frente fria que esta vindo vamos zarpar amanhã, um dia antes do previsto
Saímos do Saco de Céu lá pelas 4 da manhã, e as 6:30 subi pra ver o sol terminar de nascer. Velejamos mais sete horas até a Ilha do Prumirim, no meio do caminho vimos golfinhos mas bem de longe, não dava pra ver os saltos como na televisão. Descemos na Ilha e o calor já não era como no Rio, tomei caipirinha e comi a melhor lula de todo o verão. Eu amei a Ilha. Velejamos mais duas horas até Ubatuba, fizemos as malas nesse meio tempo e eu estava ansiosa pra voltar pra casa. Fomos pra praia da Sununga aproveitar as ultimas horas da viagem. Aplaudimos o pôr do sol, filosofamos sobre o que a viagem trouxe pra cada um. Dormimos em camas, pra no dia seguinte subir a serra.
No meio de tanto azul e verde, eu me preocupei em registrar mas nunca em ficar posando pra foto. Essa foi de longe a melhor viagem que eu já fiz, viajar de barco é de longe a experiência incrível que eu já tive. Desde pequena, ao contrário da pequena sereia que sempre quis morar na terra, eu sempre quis morar no mar. Comer, dormir, acordar e fazer tudo a bordo pra mim foi uma oportunidade de morar um pouquinho no mar. E volto dessa viagem não só com a alma lavada mas com a certeza de que eu quero velejar o mundo, conhecer as todas as vilas que eu puder, ver o sol nascer em todos os litorais possíveis e observar a natureza do mar. Tenho muitas baleias, flamingos, peixes, golfinhos, tartarugas e corais pra ver.
Primeiro pôr do sol a bordo, as 6:00 am
Acordei as 8:00 para o primeiro café da manhã a bordo e pela frente mais umas 3:00 horas velejando até chegar na Ilha Grande.
Dia 28 - Mergulhamos na praia dos Meros,onde no ano passado era proibido desce do barco e ancorar. Quando chegamos não tinha nenhum aviso, descemos e passamos o dia.
Ancoramos na Enseada Sítio do Forte pra passar a noite.
Dia 29 - Depois de passar a noite no Sítio do Forte, abastecemos o barco de água, eu acordei lá pelas 07:00 e quando olhei pela vigia do banheiro, vi a Fernanda fora do barco, tentando juntar duas mangueiras de água e tomando um banho logo cedo. Seguimos para a Lagoa Azul, eu estava louca pra mergulhar com os peixinhos multi coloridos, mas a água estava turva e não dava pra ver nada. Fora o movimento intenso de lanchas e jets, dava bastante medo de ficar na água. Fomos pro Saco do Céu, lugar estupidamente lindo, e a água mais quente (e salgada) até agora. Depois fomos para a Vila do Abraao. Assim que pisamos na areia encontramos um filhote de cachorro e andamos a vila inteira atrás de alguém pra adotar, conhecemos nativos, turistas, filhos de um hippie com nomes cheios de significados e um CALOR absurdo. "Rio 40 graus" nunca fez tanto sentido. Descobrimos que ia rolar um show do Detonautas, providenciamos nossos banhos rápidos a bordo e fomos de bote pra Vila mas o show foi cancelado. Tomamos cerveja num bar chamado Brasil que rola música boa e terminamos num luau na praia.
Dia 30 - Depois de passar a noite ancorados na Vila do Abraao seguimos pra Praia da Feiticeira, lugar bonito e tranquilo, ao contrário da Lagoa Azul onde o movimento de barcos, lanchas e jets era intenso. Nadando deu pra ver peixinhos agulha, sargentinhos e cofrinho. Depois seguimos pra Angra dos Reis. Paramos na marina pra comer e mergulhar na piscina, água doce nessa viagem é luxo, depois de três dias no mar tudo que eu mais queria era um banho normal e razoavelmente demorado. Andamos até uma venda pra comprar gelo, água e bebida, confesso que não achei Angra tão bonita quando a que eu criei na minha imaginação. Fiquei enquanto pude na piscina e tomamos banho no vestiário da marina. Jantamos a bordo, passamos a noite em Angra sem decidir onde vamos passar a noite de reveillon.
Dia 31 - Assim que eu acordei fui caminhar na praia, eu sabia que logo iríamos zarpar de Angra e como presente da mãe natureza, no último dia do ano deu pra ver embaixo do pier uma tartaruga comendo tranquilamente. Fomos abastecer o barco de combustível, chegando no posto paramos do lado da lancha do Neymar, batizada de Nadina, um marinheiro disse que ele havia acabado de brigar com a namorada e saído de helicóptero. Fomos no shopping Piratas pra comprar comida pra noite de ano novo. Depois de alguns dias no mar quando nós ficamos em terra eu passo um bom tempo mareando. As compras foram rápidas e logo fomos pro Sítio Forte pra abastecer de água mas a fila de barcos pra abastecer era grande e o calor estava insuportável pra ficar esperando e seguimos pra Ilha das Botinas, o trânsito no mar é muito mais tranquilo que em terra e muito mais amigável também, as pessoas se ajudam e cumprimentam. Ganhei inúmeros acenos de barcos brasileiros e argentinos, mas também tem muitos babacas que não respeitam avisos e área de mergulho e banhistas. A Ilha estava bem movimentada mas deu pra ver muitos peixinhos.Como no primeiro dia eu cortei meu dedo em um coral, fiquei com medo depois sempre que me aproximava pra ver os peixes. Mesmo com muito protetor 50 eu preciso tomar cuidado com o sol, pouco tempo e eu ja ganho um tom rosado de pele, que por causa do protetor não arde e logo ganha cor de bronze, se é que eu posso chamar assim, porque particularmente eu acho horrível aquela cor de frango assado.
Como não rolou abastecer voltamos pra Vila do Abraao, almoçamos a bordo e depois do jantar fomos de taxi boat pra Vila, ver a queima de fogos e pular sete ondinhas, os fogos foram bonitos, brindamos o ano novo, mas eu não me ligo muito em comer sete sementes de uva ou qualquer tipo de coisa, acho importante renovar as metas, fazer um balanço das escolhas que eu tenho feito, decidir o que eu não quero mais na minha vida e fazer aquelas promessas difíceis de cumprir, comer bem, fazer exercício físico e ser legal com todo mundo. Encontramos muitos gringos todas as vezes que fomos pra Vila, eu não falo espanhol e me peguei em uma situação curiosa respondendo em inglês sempre que falavam comigo em espanhol. E já que um ano novo está começando, aprender espanhol vai entrar na lista. Ainda não sei pra onde vamos amanhã mas cada dia tem sido uma surpresa e um aprendizado enorme sobre muitos aspectos.
Dia 01 - Depois de passar a noite ancorados na Vila do Abraao, fomos de bote até a Vila pra deixar o lixo com os recolhedores, na volta o bote afogou com gasolina e tivemos que voltar a remo, embaixo de um sol e céu sem nuvens. Era quase o bote das aventuras de Pi, só que sem o tigre e com três garotas. O calor estava insuportável, então resolvemos pular na água e empurrar o bote, funcionou mas logo apareceu um cara oferecendo um reboque, difícil foi voltar pro bote, eu não sou nada sagaz pra esforços físicos (sedentarismo mandou beijo). Fomos pro Sitio forte e abastecemos com água, um tanque ja estava vazio e o outro com menos da metade. Almoçamos a bordo, e passamos um bom tempo na água em nossas bóias com as nossas respectivas caipirinhas e cervejas. Depois seguimos pro Saco do Céu pra passar a noite, demos uma volta de bote e vimos várias tartarugas, as meninas encontraram uma ducha pra tomar banho na compahia de varios caranguejos e eu aproveitei pra tomar um banho um pouco mais demorado no barco. A noite dava pra ver planctons na água, eu fiquei encantada com aquele "glitter" saindo da minha mão toda vez que eu mexia na água, ou com o desenho de galáxia que formava quando eu mexia a mão em círculos. O céu não estava tão limpo pra ver as estrelas, mas dava pra ver algumas, dizem que em noites claras as estrelas refletem na água. Por conta de uma frente fria que esta vindo vamos zarpar amanhã, um dia antes do previsto
Saímos do Saco de Céu lá pelas 4 da manhã, e as 6:30 subi pra ver o sol terminar de nascer. Velejamos mais sete horas até a Ilha do Prumirim, no meio do caminho vimos golfinhos mas bem de longe, não dava pra ver os saltos como na televisão. Descemos na Ilha e o calor já não era como no Rio, tomei caipirinha e comi a melhor lula de todo o verão. Eu amei a Ilha. Velejamos mais duas horas até Ubatuba, fizemos as malas nesse meio tempo e eu estava ansiosa pra voltar pra casa. Fomos pra praia da Sununga aproveitar as ultimas horas da viagem. Aplaudimos o pôr do sol, filosofamos sobre o que a viagem trouxe pra cada um. Dormimos em camas, pra no dia seguinte subir a serra.
No meio de tanto azul e verde, eu me preocupei em registrar mas nunca em ficar posando pra foto. Essa foi de longe a melhor viagem que eu já fiz, viajar de barco é de longe a experiência incrível que eu já tive. Desde pequena, ao contrário da pequena sereia que sempre quis morar na terra, eu sempre quis morar no mar. Comer, dormir, acordar e fazer tudo a bordo pra mim foi uma oportunidade de morar um pouquinho no mar. E volto dessa viagem não só com a alma lavada mas com a certeza de que eu quero velejar o mundo, conhecer as todas as vilas que eu puder, ver o sol nascer em todos os litorais possíveis e observar a natureza do mar. Tenho muitas baleias, flamingos, peixes, golfinhos, tartarugas e corais pra ver.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Não confio em quem se faz
Quem se faz de difícil porque senão ninguém da valor, quem se faz se desentendido, quem se faz de cult, quem se faz de vítima. Fingir não sentir o que está sentindo é ser falso, omisso e até covarde. Aceite logo que você está apaixonado, pare de lutar contra isso. Aceite que você morre de ciumes e tem vontade de tatuar "tem dona" na testa do seu namorado. Que você sentiu inveja quando aquele cara que você odeia conseguiu o emprego dos seus sonhos. Que você gosta e acha incrível transar no primeiro encontro. Aceite que até as histórias mais bonitas tem um final. Ao longo da vida acabamos interpretando todos os papéis, mesmo que a gente jure de pé junto que nunca foi a bruxa da vida de ninguém. Porque bom é poder ser a gente mesmo. Seja qual for o papel.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Só mais uma crise de espera
Se tem uma coisa que eu nunca soube fazer desde pequenininha é esperar. Fazia birra e deitava no chão pra conseguir o que queria, na hora que queria. Não que eu me orgulhe, acho feio criança fazendo birra, é engraçadinho no começo mas sempre desejo que os pais ensinem que essa é a pior maneira pra conseguir algo, quando a criança entender alguma coisa, claro. Tive bons mentores, pessoas que me ensinaram lições e valores que fazem toda diferença na maneira com que eu vejo as coisas. Mas tem coisa que vem de dentro, que acho que nasce com a gente. E comigo é essa coisa de não saber esperar. Quando surge uma vontade, uma ideia, eu quero logo ir e fazer acontecer, antes que o mundo acabe, antes que eu morra, ou fique velha demais. Mas de um tempo pra cá a vida, universo (chamem como quiser), vem esfregando na minha cara incansavelmente de que pra que cada coisa aconteça, uma série de outras precisam acontecer ou estar em sintonia. Passei cerca de dois ou três anos achando que não conseguiria sair do lugar e colocar os meus planos em prática. Não fosse por ela, como sempre, teria sido bem mais difícil. Eu cheguei a achar que não colocaria meus planos em prática e não teria o futuro que eu planejei. Risquei inúmeros itens das minhas infinitas listas de metas, vi a vida me roubar muitos planos e quase não percebia os detalhes que me fariam sair daquele marasmo. Todo o tempo eu optei por estar onde estava, mesmo que custasse todos os meus sorrisos, me perguntei como me pergunto agora muitas vezes se valeria a pena. E quando coloco na balança sempre vale. Saindo de Águas depois de quase três anos, onde meu papel foi basicamente apoiar e estar todo o tempo do lado dela fui pra Minas, onde dediquei seis meses exclusivamente pra saúde do meu corpo e mente, ambos debilitados devido a um cálculo renal de 3cm e toda a pressão de "porra eu tenho 23 anos e não tenho nada de concreto". Tempo esse que devia ter sido mais longo, não fosse de novo a minha vontade de estar do lado dela e fazer as coisas acontecerem da maneira que eu arquiteto na minha cabeça. Depois de quase dois anos indo de hospital público em hospital público sem conseguir a merda da cirurgia pelo SUS, fui pra Valinhos, depois de ser novamente consumida pela ansiedade de estar lá, de quase me mudar pro lugar sem pisos e paredes pintadas, esperei quase sem conseguir esperar e fui atrás de um emprego formal única e exclusivamente interessada em um convênio médico, esperei a carência do plano e logo a cirurgia chegou, e foi um sucesso! Eu estava com a minha mãe, o amor da minha vida, no nosso cantinho tão sonhado, esperado e ansiado, me recuperando de algo que me tirou o brilho por muito tempo. Foram com esses primeiros passos tão pesados que comecei a perceber a paciência, entender que é preciso que as coisas estejam em ordem pra que aconteçam, e que fazer birra e se jogar no chão não adianta de nada, ninguém vê e muito menos sente a sua cólera. Foram com pitadas de paciência que conseguimos montar nosso home office, em seguida a minha cnh, que foi algo que eu sempre quis muito, que de tão simples deixava pra depois e claro, o maldito dinheiro que é sempre contado. Mais um pouco de paciência e pequenos planos foram tomando forma e dando pequenos resultados. E no meio de tudo isso, pessoas e mais pessoas tentaram nos fazer acreditar de várias formas de que estar juntas não era o melhor caminho. Só por esse detalhe a gente já merecia um Nobel da perseverança (?). Não sei se o nome disso é karma, mas na minha vida sempre aparecem coisas que me desequilibram quando eu tento de todas as maneiras me manter equilibrada. Agora são três dentes do siso, que além de caros, são chatos, doloridos, e me fizeram lidar com meu pavor de dentista. Duas intervenções em um ano para alguém que tem muito medo de sentir dor. Mais repouso, mais remédios, mais espera. Então eu paro pra refletir, dou check no curso de design de sobrancelhas que por tanto tempo eu quis fazer e volto para as metas, as listas, o medo de não conseguir sabeseláoque. Confesso que tenho ansia e pavor do futuro na mesma proporção. Quero ir a muitos lugares, fazer coisas simples em todos eles, conhecer todos os climas e oceanos e sou constantemente sufocada pelo medo e pressa de que essas coisas aconteçam. Ainda me pego me perguntando se vale a pena, se é isso mesmo, se essa espera não é perda de tempo. Mas enquanto houver amor qualquer espera vai valer a pena. É muito difícil ter tantos planos, vontades, opiniões que vão totalmente contra a maré, e sempre, sempre colocar o amor a frente. Ter 25 anos, viver numa sociedade doentia que inverteu todos os valores, conseguir pequenas coisas torna-se uma luta que muitas vezes te deixa em farrapos. Em nenhum momento eu desejo que as coisas caiam do céu, ou que um pai rico apareça pra me dar o óculos, o celular ou o curso que eu quero. Acho que a minha missão é exatamente essa, conseguir, agora sem me jogar no chão chorando como quando tinha 5 anos. Mas me baseando em escolhas, planejamento, abrindo mão daquilo que pra você é tão e importante (tipo torrar toda grana na mesa de bar) e a mim só vai atrapalhar. Com trechos de boas leituras, ensinamentos do yoga e paciência, não tenho muita ainda, mas fui obrigada a juntar um monte dela.
Eu ainda não sou muito boa em nada, acredito que a melhor parte da minha vida aconteceu dentro da minha cabeça, não toco nenhum instrumento e não penso mais nisso. Não tenho diploma, apenas certificados, e são duas coisas que pra mim não fazem muito sentido. Tudo o que eu tenho são memórias, fotos, vídeos, sabores dos pratos que provei, a brisa dos lugares que eu estive e um suspiro maravilhoso de lembrar de cada minuto que eu me senti completa. Trabalhei em call center, shopping, hotel, escritório e aprendi muita coisa, mas o que aprendi mesmo foi sobre mim, que odeio essa coisa de bater cartão, chefe que da esporro, colega de trabalho que não da bom dia, que trabalhar 10h por dia pra receber um salário mais ou menos não vale a gastrite nervosa, as bolinhas pelo corpo e a dor de cabeça. São essas coisas que sustentam essa sociedade doentia, que tem um interesse mórbido pela destruição alheia assistida na televisão e nas revistas. Onde o que você tem e veste vão decidir que se você é digno ou não daquele lugar. NÃO, NÃO e NÃO.
Continuarei discordando de toda a bagunça política e global, continuarei desaprovando o seu vestido curto que mostra seu rabo, enquanto você faz a mente com a balinha colorida comprada com o dinheiro do papai. Continuarei sendo mal encarada por avessos a tatuagens e homossexuais. Continuarei me vestindo da maneira que eu acho confortável mesmo que me faça "valer menos". Porque eu não quero valer nada pra ninguém, exceto pra mim.
Só me desejo sorte e paciência para conseguir tudo o que eu planejo pra uma vida tão curta, com opiniões que me afastam muitas vezes do que eu quero. Porque eu definitivamente me nego a concordar com o que eu não concordo pra cortar caminho pros meus planos. Mesmo que me custe muita espera e muita cólera.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Não sei se você percebeu, mas estou evitando você
Uma frase apenas: não sei se você percebeu, mas estou evitando você. O que é isso? Digo, não no sentido gramatical, essa parte eu compreendi, mas o que uma pessoa pode querer dizer com isso é que me intriga. Não sei se você percebeu, mas estou evitando você é um torpedo seco que recebi de Juliete hoje pela manhã, e que me deixou trêmulo, irritado e enjoado o dia todo. Deu pra notar que Juliete está fugindo de mim, ela não tem se apresentado no café ou lá em casa, nem em rompantes e nem com hora marcada. Eu também ando me esquivando de confusões, e me mantido longe da área dela, mesmo sem saber ao certo onde fica, em que bairro, em que mundo Juliete vive. E mesmo se eu soubesse, de toda forma eu não pintaria lá. Então é isso: não estamos nos falando, desde a noite que dormimos juntos e fizemos a coisa. Sabe como é aquele ditado, “sexo gratuito estraga tudo”. Não é um grande ditado, talvez nem seja um ditado, mas de qualquer forma pretendo repeti-lo até que no fim do dia seja considerado uma grande máxima pela esfera acadêmica. Quem sabe até eu peça a ajuda de alguns universitários fregueses mais antigos (“Como estava o seu café? Aqui está seu troco. Sexo gratuito estraga tudo. Passe adiante, por favor.”) Mas, voltando ao campo das análises sintáticas. Não sei se você percebeu, mas estou evitando você. Por exemplo: estou evitando os carboidratos. O que o sujeito da frase está querendo dizer no emprego do verbo evitar? Que ele odeia macarrão ou chocolate? Ou que ele os adora, mas precisa fugir pois os macarrões e os chocolates não têm caído muito bem, não é o momento certo para comê-los, eles são uma tentação formidável, ou seja, significa que a criatura precisará despender de um esforço imenso para não ingeri-los, certo? Certo. Sou bom no português e não sou louco, eu sei que é. Que siga me evitando então, se isso fará você sentir-se melhor, Juliete. Mas não se engane, se você odiasse macarronadas e chocolates, ou pior, os desdenhasse com indiferença, não mandaria recados para eles, ou pensaria neles já pela manhã, não é mesmo? Respondo um taciturno e monossilábico “Ok.” e toco as coisas aqui no café, com Juliete não preciso me preocupar. Nada acabou. Ela está me evitando porque sabe que, assim como eu, também tem calafrios quando tocada por essa sensação desconfortável. Sabe, ela pode ter toda uma vida à parte, toda uma colcha de acontecimentos até aqui, um patamar alcançado, uma história, com namorado, a faculdade de psicologia, a herança, a mãe morta, as amigas, família e animais de estimação; e eu, o outro pedaço do conto, também tenho um fundamento, de certa forma, mesmo sem tanta tralha e sofisticação – bem, eu existo, não é, ou é apenas uma ilusão? Em todo caso, pareço não ter escolha, enquanto os dias vêm e vão. Só consigo pensar nisso. Em planos B, em opções e intercorrências.
sábado, 7 de setembro de 2013
Sindrome de enfrentamento do seu próprio telefone
Tem vezes que a gente só quer fugir. De tudo. Acontece de vez em quando. E vai piorando. E você vira uma eremita. Socorro. Quero ficar para sempre dentro da minha casa sozinha e vocês, por favor, não me telefonem. Entramos dentro de uma bolha (ei, Jô) e ficamos presas dentro dela. Agora, com nosso I phones ou qualquer telefone super mega autocentrado, tudo piorou. Fácil morar dentro deles. Até que uma hora a gente fica com medo do próprio “telefone”. Sintomas da Síndrome de Eremita Avançada (S.E.A).
-Não ouvir recados da secretaria eletrônica. Na verdade, ter pânico deles. E fazer como meu amigo Xico Sá, que tem tanto medo que deixou um recado falando: “não deixe recado”.
-Não atender número desconhecido. “Nossa, era você, achei que fosse alguém me perseguindo”, disse a mana Jô para mim outro dia.
- Ter medo de checar email. Medo. Mas medo mesmo. Abrir o email vira uma espécie de esporte radical. Sempre achamos que seremos surpreendidas por algo. Até abrir e ver que lá estão as correntes de sempre.
- Quando na rua, fugir. Você sai sozinha para resolver algo. Quando encontra alguém, APAVORA. E cumprimenta e sai correndo. Encontrar alguém legal parece uma perseguição. Da vida? Deve ser.
Calma. Eu não estou louca (não totalmente). Quem nunca passou por esses momentos que atire o primeiro aparelho de celular. Acontece em vésperas de estréias, de viagens, mudanças de casa. Pára mundo, eu não quero fazer parte de você, a gente diz. E se imagina em uma praia. Mas sem NINGUÉM POR PERTO. E se o telefone tocar, não iremos atender, mas é claro.
Não me mande flores! E pare de bater no intefone!
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