Algumas lembranças, os meus fantasmas me dizendo "Buh!"

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Só mais uma crise de espera


Se tem uma coisa que eu nunca soube fazer desde pequenininha é esperar. Fazia birra e deitava no chão pra conseguir o que queria, na hora que queria. Não que eu me orgulhe, acho feio criança fazendo birra, é engraçadinho no começo mas sempre desejo que os pais ensinem que essa é a pior maneira pra conseguir algo, quando a criança entender alguma coisa, claro. Tive bons mentores, pessoas que me ensinaram lições e valores que fazem toda diferença na maneira com que eu vejo as coisas. Mas tem coisa que vem de dentro, que acho que nasce com a gente. E comigo é essa coisa de não saber esperar. Quando surge uma vontade, uma ideia, eu quero logo ir e fazer acontecer, antes que o mundo acabe, antes que eu morra, ou fique velha demais. Mas de um tempo pra cá a vida, universo (chamem como quiser), vem esfregando na minha cara incansavelmente de que pra que cada coisa aconteça, uma série de outras precisam acontecer ou estar em sintonia. Passei cerca de dois ou três anos achando que não conseguiria sair do lugar e colocar os meus planos em prática. Não fosse por ela, como sempre, teria sido bem mais difícil. Eu cheguei a achar que não colocaria meus planos em prática e não teria o futuro que eu planejei. Risquei inúmeros itens das minhas infinitas listas de metas, vi a vida me roubar muitos planos e quase não percebia os detalhes que me fariam sair daquele marasmo. Todo o tempo eu optei por estar onde estava, mesmo que custasse todos os meus sorrisos, me perguntei como me pergunto agora muitas vezes se valeria a pena. E quando coloco na balança sempre vale. Saindo de Águas depois de quase três anos, onde meu papel foi basicamente apoiar e estar todo o tempo do lado dela fui pra Minas, onde dediquei seis meses exclusivamente pra saúde do meu corpo e mente, ambos debilitados devido a um cálculo renal de 3cm e toda a pressão de "porra eu tenho 23 anos e não tenho nada de concreto". Tempo esse que devia ter sido mais longo, não fosse de novo a minha vontade de estar do lado dela e fazer as coisas acontecerem da maneira que eu arquiteto na minha cabeça. Depois de quase dois anos indo de hospital público em hospital público sem conseguir a merda da cirurgia pelo SUS, fui pra Valinhos, depois de ser novamente consumida pela ansiedade de estar lá, de quase me mudar pro lugar sem pisos e paredes pintadas, esperei quase sem conseguir esperar e fui atrás de um emprego formal única e exclusivamente interessada em um convênio médico, esperei a carência do plano e logo a cirurgia chegou, e foi um sucesso! Eu estava com a minha mãe, o amor da minha vida, no nosso cantinho tão sonhado, esperado e ansiado, me recuperando de algo que me tirou o brilho por muito tempo. Foram com esses primeiros passos tão pesados que comecei a perceber a paciência, entender que é preciso que as coisas estejam em ordem pra que aconteçam, e que fazer birra e se jogar no chão não adianta de nada, ninguém vê e muito menos sente a sua cólera. Foram com pitadas de paciência que conseguimos montar nosso home office, em seguida a minha cnh, que foi algo que eu sempre quis muito, que de tão simples deixava pra depois e claro, o maldito dinheiro que é sempre contado. Mais um pouco de paciência e pequenos planos foram tomando forma e dando pequenos resultados. E no meio de tudo isso, pessoas e mais pessoas tentaram nos fazer acreditar de várias formas de que estar juntas não era o melhor caminho. Só por esse detalhe a gente já merecia um Nobel da perseverança (?). Não sei se o nome disso é karma, mas na minha vida sempre aparecem coisas que me desequilibram quando eu tento de todas as maneiras me manter equilibrada. Agora são três dentes do siso, que além de caros, são chatos, doloridos, e me fizeram lidar com meu pavor de dentista. Duas intervenções em um ano para alguém que tem muito medo de sentir dor. Mais repouso, mais remédios, mais espera. Então eu paro pra refletir, dou check no curso de design de sobrancelhas que por tanto tempo eu quis fazer e volto para as metas, as listas, o medo de não conseguir sabeseláoque. Confesso que tenho ansia e pavor do futuro na mesma proporção. Quero ir a muitos lugares, fazer coisas simples em todos eles, conhecer todos os climas e oceanos e sou constantemente sufocada pelo medo e pressa de que essas coisas aconteçam. Ainda me pego me perguntando se vale a pena, se é isso mesmo, se essa espera não é perda de tempo. Mas enquanto houver amor qualquer espera vai valer a pena. É muito difícil ter tantos planos, vontades, opiniões que vão totalmente contra a maré, e sempre, sempre colocar o amor a frente. Ter 25 anos, viver numa sociedade doentia que inverteu todos os valores, conseguir pequenas coisas torna-se uma luta que muitas vezes te deixa em farrapos. Em nenhum momento eu desejo que as coisas caiam do céu, ou que um pai rico apareça pra me dar o óculos, o celular ou o curso que eu quero. Acho que a minha missão é exatamente essa, conseguir, agora sem me jogar no chão chorando como quando tinha 5 anos. Mas me baseando em escolhas, planejamento, abrindo mão daquilo que pra você é tão e importante (tipo torrar toda grana na mesa de bar) e a mim só vai atrapalhar. Com trechos de boas leituras, ensinamentos do yoga e paciência, não tenho muita ainda, mas fui obrigada a juntar um monte dela.
Eu ainda não sou muito boa em nada, acredito que a melhor parte da minha vida aconteceu dentro da minha cabeça, não toco nenhum instrumento e não penso mais nisso. Não tenho diploma, apenas certificados, e são duas coisas que pra mim não fazem muito sentido. Tudo o que eu tenho são memórias, fotos, vídeos, sabores dos pratos que provei, a brisa dos lugares que eu estive e um suspiro maravilhoso de lembrar de cada minuto que eu me senti completa. Trabalhei em call center, shopping, hotel, escritório e aprendi muita coisa, mas o que aprendi mesmo foi sobre mim, que odeio essa coisa de bater cartão, chefe que da esporro, colega de trabalho que não da bom dia, que trabalhar 10h por dia pra receber um salário mais ou menos não vale a gastrite nervosa, as bolinhas pelo corpo e a dor de cabeça. São essas coisas que sustentam essa sociedade doentia, que tem um interesse mórbido pela destruição alheia assistida na televisão e nas revistas. Onde o que você tem e veste vão decidir que se você é digno ou não daquele lugar. NÃO, NÃO e NÃO.
Continuarei discordando de toda a bagunça política e global, continuarei desaprovando o seu vestido curto que mostra seu rabo, enquanto você faz a mente com a balinha colorida comprada com o dinheiro do papai. Continuarei sendo mal encarada por avessos a tatuagens e homossexuais. Continuarei me vestindo da maneira que eu acho confortável mesmo que me faça "valer menos". Porque eu não quero valer nada pra ninguém, exceto pra mim.
Só me desejo sorte e paciência para conseguir tudo o que eu planejo pra uma vida tão curta, com opiniões que me afastam muitas vezes do que eu quero. Porque eu definitivamente me nego a concordar com o que eu não concordo pra cortar caminho pros meus planos. Mesmo que me custe muita espera e muita cólera.

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