Algumas lembranças, os meus fantasmas me dizendo "Buh!"

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Diário de Bordo - Ilha Grande RJ

Dia 27 - Nós fomos pro barco na noite pra dormir e zarpar as 04:00 da manhã. 




Primeiro pôr do sol a bordo, as 6:00 am


Acordei as 8:00 para o primeiro café da manhã a bordo e pela frente mais umas 3:00 horas velejando até chegar na Ilha Grande. 
Dia 28 - Mergulhamos na praia dos Meros,onde no ano passado era proibido desce do barco e ancorar. Quando chegamos não tinha nenhum aviso, descemos e passamos o dia. 
Ancoramos na Enseada Sítio do Forte pra passar a noite.






Dia 29Depois de passar a noite no Sítio do Forte, abastecemos o barco de água, eu acordei lá pelas 07:00 e quando olhei pela vigia do banheiro, vi a Fernanda fora do barco, tentando juntar duas mangueiras de água e tomando um banho logo cedo. Seguimos para a Lagoa Azul, eu estava louca pra mergulhar com os peixinhos multi coloridos, mas a água estava turva e não dava pra ver nada. Fora o movimento intenso de lanchas e jets, dava bastante medo de ficar na água. Fomos pro Saco do Céu, lugar estupidamente lindo, e a água mais quente (e salgada) até agora. Depois fomos para a Vila do Abraao. Assim que pisamos na areia encontramos um filhote de cachorro e andamos a vila inteira atrás de alguém pra adotar, conhecemos nativos, turistas, filhos de um hippie com nomes cheios de significados e um CALOR absurdo. "Rio 40 graus" nunca fez tanto sentido. Descobrimos que ia rolar um show do Detonautas, providenciamos nossos banhos rápidos a bordo e fomos de bote pra Vila mas o show foi cancelado. Tomamos cerveja num bar chamado Brasil que rola música boa e terminamos num luau na praia.















Dia 30 Depois de passar a noite ancorados na Vila do Abraao seguimos pra Praia da Feiticeira, lugar bonito e tranquilo, ao contrário da Lagoa Azul onde o movimento de barcos, lanchas e jets era intenso. Nadando deu pra ver peixinhos agulha, sargentinhos e cofrinho. Depois seguimos pra Angra dos Reis. Paramos na marina pra comer e mergulhar na piscina, água doce nessa viagem é luxo, depois de três dias no mar tudo que eu mais queria era um banho normal e razoavelmente demorado. Andamos até uma venda pra comprar gelo, água e bebida, confesso que não achei Angra tão bonita quando a que eu criei na minha imaginação. Fiquei enquanto pude na piscina e tomamos banho no vestiário da marina. Jantamos a bordo, passamos a noite em Angra sem decidir onde vamos passar a noite de reveillon.


                                       
                                         As luzes de Angra




Dia 31 Assim que eu acordei fui caminhar na praia, eu sabia que logo iríamos zarpar de Angra e como presente da mãe natureza, no último dia do ano deu pra ver embaixo do pier uma tartaruga comendo tranquilamente. Fomos abastecer o barco de combustível, chegando no posto paramos do lado da lancha do Neymar, batizada de Nadina, um marinheiro disse que ele havia acabado de brigar com a namorada e saído de helicóptero. Fomos no shopping Piratas pra comprar comida pra noite de ano novo. Depois de alguns dias no mar quando nós ficamos em terra eu passo um bom tempo mareando. As compras foram rápidas e logo fomos pro Sítio Forte pra abastecer de água mas a fila de barcos pra abastecer era grande e o calor estava insuportável pra ficar esperando e seguimos pra Ilha das Botinas, o trânsito no mar é muito mais tranquilo que em terra e muito mais amigável também, as pessoas se ajudam e cumprimentam. Ganhei inúmeros acenos de barcos brasileiros e argentinos, mas também tem muitos babacas que não respeitam avisos e área de mergulho e banhistas. A Ilha estava bem movimentada mas deu pra ver muitos peixinhos.Como no primeiro dia eu cortei meu dedo em um coral, fiquei com medo depois sempre que me aproximava pra ver os peixes. Mesmo com muito protetor 50 eu preciso tomar cuidado com o sol, pouco tempo e eu ja ganho um tom rosado de pele, que por causa do protetor não arde e logo ganha cor de bronze, se é que eu posso chamar assim, porque particularmente eu acho horrível aquela cor de frango assado. 
Como não rolou abastecer voltamos pra Vila do Abraao, almoçamos a bordo e depois do jantar fomos de taxi boat pra Vila, ver a queima de fogos e pular sete ondinhas, os fogos foram bonitos, brindamos o ano novo, mas eu não me ligo muito em comer sete sementes de uva ou qualquer tipo de coisa, acho importante renovar as metas, fazer um balanço das escolhas que eu tenho feito, decidir o que eu não quero mais na minha vida e fazer aquelas promessas difíceis de cumprir, comer bem, fazer exercício físico e ser legal com todo mundo. Encontramos muitos gringos todas as vezes que fomos pra Vila, eu não falo espanhol e me peguei em uma situação curiosa respondendo em inglês sempre que falavam comigo em espanhol. E já que um ano novo está começando, aprender espanhol vai entrar na lista. Ainda não sei pra onde vamos amanhã mas cada dia tem sido uma surpresa e um aprendizado enorme sobre muitos aspectos. 















Dia 01Depois de passar a noite ancorados na Vila do Abraao, fomos de bote até a Vila pra deixar o lixo com os recolhedores, na volta o bote afogou com gasolina e tivemos que voltar a remo, embaixo de um sol e céu sem nuvens. Era quase o bote das aventuras de Pi, só que sem o tigre e com três garotas. O calor estava insuportável, então resolvemos pular na água e empurrar o bote, funcionou mas logo apareceu um cara oferecendo um reboque, difícil foi voltar pro bote, eu não sou nada sagaz pra esforços físicos (sedentarismo mandou beijo). Fomos pro Sitio forte e abastecemos com água, um tanque ja estava vazio e o outro com menos da metade. Almoçamos a bordo, e passamos um bom tempo na água em nossas bóias com as nossas respectivas caipirinhas e cervejas. Depois seguimos pro Saco do Céu pra passar a noite, demos uma volta de bote e vimos várias tartarugas, as meninas encontraram uma ducha pra tomar banho na compahia de varios caranguejos e eu aproveitei pra tomar um banho um pouco mais demorado no barco. A noite dava pra ver planctons na água, eu fiquei encantada com aquele "glitter" saindo da minha mão toda vez que eu mexia na água, ou com o desenho de galáxia que formava quando eu mexia a mão em círculos. O céu não estava tão limpo pra ver as estrelas, mas dava pra ver algumas, dizem que em noites claras as estrelas refletem na água. Por conta de uma frente fria que esta vindo vamos zarpar amanhã, um dia antes do previsto





Saímos do Saco de Céu lá pelas 4 da manhã, e as 6:30 subi pra ver o sol terminar de nascer. Velejamos mais sete horas até a Ilha do Prumirim, no meio do caminho vimos golfinhos mas bem de longe, não dava pra ver os saltos como na televisão. Descemos na Ilha e o calor já não era como no Rio, tomei caipirinha e comi a melhor lula de todo o verão. Eu amei a Ilha. Velejamos mais duas horas até Ubatuba, fizemos as malas nesse meio tempo e eu estava ansiosa pra voltar pra casa. Fomos pra praia da Sununga aproveitar as ultimas horas da viagem. Aplaudimos o pôr do sol, filosofamos sobre o que a viagem trouxe pra cada um. Dormimos em camas, pra no dia seguinte subir a serra.







 No meio de tanto azul e verde, eu me preocupei em registrar mas nunca em ficar posando pra foto. Essa foi de longe a melhor viagem que eu já fiz, viajar de barco é de longe a experiência incrível que eu já tive. Desde pequena, ao contrário da pequena sereia que sempre quis morar na terra, eu sempre quis morar no mar. Comer, dormir, acordar e fazer tudo a bordo pra mim foi uma oportunidade de morar um pouquinho no mar. E volto dessa viagem não só com a alma lavada mas com a certeza de que eu quero velejar o mundo, conhecer as todas as vilas que eu puder, ver o sol nascer em todos os litorais possíveis e observar a natureza do mar. Tenho muitas baleias, flamingos, peixes, golfinhos, tartarugas e corais pra ver. 

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