Algumas lembranças, os meus fantasmas me dizendo "Buh!"

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Uma garota conheceu um garoto



Eles se tornaram amigos há algum tempo. Ótimos amigos, aliás. Saiam para beber de vez em quando. Encontravam-se na cidade dos pais sem querer.  Conversavam sobre tudo, e discordavam sobre tudo de um jeito que ninguém mais entendia. E as pessoas gostavam de tentar fazer isso o tempo todo.
Ele, um louco. Ela, uma apaixonada por loucos.
Essa tal garota falava, escrevia e tatuava tudo o que bem entendia. E o que não entendia também. Dragões. Rosas. Flores. Corações. O infinito. Buscava resposta nas páginas dos livros e nos capítulos das séries. Diziam que ela estava perdida no labirinto que criou antes de dormir. Draminha.

O garoto, pelo que me contaram, ainda não sabia lidar com um monte de coisas. O passado. Havia uma lista abandonada na segunda gaveta do armário. Havia um bilhete de muitos anos ainda dobrado. Última página do bloquinho. Poucos nomes, uma ordem.

Em uma noite qualquer, vulneráveis como sempre, eles se beijaram.  Uma. Duas. Três vezes. Parecia tão simples. Coisa de centímetros. Entre as cadeiras. Depois, entre os lábios. Ele não tinha muita certeza. Ela nem se importava. 
O dia amanheceu ensolarado na terra da garoa.  Ele apertando um abraço enquanto ela fez durar mais do que realmente durou.
Agora as coisas entre eles estão meio bagunçadas. Indiretas coladas na parede da sala. Ele apagou a luz. Esta ali, mas não quer ver. Acho que não quer machucá-la. Não quer perder a amiga, mas também não quer vê-la sofrer. É a vítima e o culpado ao mesmo tempo.

Quanto tempo de espera? Ela quis saber.

Como ele não diz, digo eu: Não existe resposta. Existe pôr-do-sol. Um depois do outro. 
Por fim, preciso dizer: gosto da garota e admiro o garoto. Quero que eles sejam felizes. Como amigos, como amantes, como almas que se entendem. Dia sim, dia não. Enquanto valer a pena.

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