Algumas lembranças, os meus fantasmas me dizendo "Buh!"

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Nossa música




Não entendo essa coisa de insistir na pessoa que você sabe que não gosta das mesmas músicas que você. Acredite, isso significa muita coisa. Mas não que a música seja o principal, e essencial. Só que vocês também não gostam dos mesmos autores, das mesmas séries, dos mesmos filmes e das mesmas redes sociais. E mesmo assim é tão bom passar horas conversando, o roteiro é sempre igual e em ordem aleatória. Nós falamos de trabalho pra provar pra nós mesmo que crescemos, depois você conta uma piada no meio da nossa conversa séria, eu desisto, você me chama, eu volto e me pergunto porque voltei. Vou pra cama, sonho com você e acordo boba, ouvindo aquelas dos anos 80 que eu aprendi a gostar ouvindo fita k7. Vou pra cama segurando o celular, mas você não da sinal de vida. E como se fosse uma gripe, vai embora. Me deixa em paz, até começar tudo de novo. Mas que diabos! Vai ficar muito esquisito se a gente só tiver se visto umas oito vezes nos últimos cinco anos? Eu não me lembro ao certo quando fiz essa conta. Eu me lembro que estava no carro ou no ônibus, num desses momentos em que eu abstraio a música, a  fala das pessoas, o acidente acontecendo e fico pensando em algo mínimo, fazendo esse tipo de conta ou só olhando pra formiga, e pensando que se a gente ajudasse com as folhas elas ficariam assustadas.
E eu acho uma pena, de verdade. Brigo comigo mesma por deixar de ouvir tanta coisa, viajando em você.
Eu penso algumas vezes que todo yoga foi em vão e que eu não evoluí nada quando perco tanto tempo olhando pra sua janela pra ver se você está falando alguma merda sem sentido. Eu devia contar quanto tempo perco com você. Aposto que eu ia terminar velha, chorando em frente ao espelho e cantando aquela da Katty Perry "In another life, I will be your girl.".
Mas eu não quero terminar esse texto com essa imagem terrível. Eu gosto de viajar nos poucos momentos em que essa coisa fez algum sentido. E porra, eles dariam um filme! Acho que seria um filme romântico, mas não desses românticos que só os adolescentes querem ver. Seria um filme romântico com música dos Smiths, tatuagens, cerveja, cenas de ciúme e uma boa dose de drama, com um casal que não fica junto no final. Porque você não tem nenhuma tatuagem, nós gostamos de discordar sobre as coisas, e cara, você odiaria esse filme.
Não posso reclamar das músicas que tocaram quando eu estava com você, exceto pela vez que você bebeu muito e dançou aquela música chiclete. Eu não entendo essa coisa de gostar sem gostar, de casual que quer saber se "foi bom pra você?". Eu queria te falar pra relaxar, perguntar menos. Dizer que aquela vez que nós transamos sem falar nada foi a melhor.
Vai ver é por isso que eu gosto de você. Porque não é sempre que você me pergunta como foi meu dia, e eu tenho a oportunidade de contar que ontem um palhaço no ônibus devolveu o celular da garota e eu dei parabéns pra ele.

Lara Louise

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