Algumas lembranças, os meus fantasmas me dizendo "Buh!"

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Onde você vai com essa armadura?


Você acredita que eu cheguei a pensar que eu era especial? Achei que tivesse rolado aquela sintonia que faz o celular tocar quando a gente pega nele pra mandar um sms e as borboletas do estômago em coro dizem "é ela!". Achei que cada música, cada conversa e as cenas daquela série tinham um significado. Eu tenho mania de procurar significado em tudo. Até pra folha de árvore cortada em formato de coração, que era pra significar uma daquelas tardes com o vento soprando no rosto, sentimentos transbordando. Era pra significar paralisar diante de um sorriso e desejar ficar ali por horas, como quem admira uma obra de arte tentando descobrir cada detalhe. Eu admirava a sua não-necessidade de ter alguém. Concluía várias vezes que é difícil encontrar alguém interessante e isso me soava muito como um "sou auto-suficiente" mas logo percebi que qualquer uma é suficiente. É que eu não entendo nada de joguinhos, nem sei guardar cartas na manga. Vivo de poesia garimpando sensações. Eu gastei todo o meu tempo sendo eu mesma e admirando um sorriso, que muitas vezes - penso eu - poderia estar rindo da minha cara de "nada em mim é morno". Você acredita que eu cheguei a pensar que eu era especial? Mas não consegui mais ler seus gestos, nunca mais acertei a hora em que você quer brincar de flertar e segurar a ponta dos dedos. As barreiras que você criou são pra mim como baldes de água fria. E de tanto reparar nos detalhes enxerguei sua armadura, bonita, reluzente. Confesso que de longe eu nem havia reparado, mas assim de perto ela é mesmo forte né? Eu tenho vontade de pegar no seu rosto e perguntar com que direito foi que você nunca mais bateu na minha porta depois que olhar no fundo dos meus olhos não era o mais máximo que você podia fazer. É chato essa história de só conseguir, é como se sua armadura não fosse forte o suficiente pra seguir em frente, ir até o fim. Eu jamais construiria um relacionamento qualquer sem um alicerce avassalador, sem magia, sem labirinto, sem códigos, sem poesia. Mas essa sou eu. Pensando bem, é melhor que você continue carregando essa armadura aí, sentir dá trabalho e requer muito da alma. Duas sacolas plásticas aos poucos se enroscando num redemoinho urbano, no meio de grupos de dez, vinte indivíduos. Começa com brincadeirinhas, com pequenos encontros distraídos, lado a lado em cada ponta do ambiente, repartindo cadeiras, bombons, beliscos, cutucões. Braços se roçam, abraços batem recorde de permanência, sorrisos descerram sorrisos, pensamentos que aterrizam sem razão. Iscas para uma armadilha, presas fáceis do afeto. E você faz uma aposta e paga pra não ver. Blefa até todo mundo perder, e quando você se da conta, nem participou do jogo.


Lara Louise

3 comentários:

  1. Amei...texto perfeito...admiro quem sabe escrever textos perfeitos assim >.<
    eu ando escrevendo alguns, mas nada comparado a esse =*

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  2. Ah, que bom ler isso. Obrigada!
    E me mostre seus textos, é sempre bom ler coisas novas. Beijos :)

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  3. Mah..meu blog é http://impacienteeindeciso.blogspot.com/
    não sei se você já viu pelo face rsrsr'
    =*

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