Algumas lembranças, os meus fantasmas me dizendo "Buh!"

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Odeio esse texto


"Eu odeio que encostem o cotovelo, a bunda ou uma cerveja molhada em mim enquanto eu tento encontrar um espaço para dançar. Eu odeio que encostem em mim, odeio a pele de um desconhecido indesejado.

Odeio rodinhas de amigos onde a maior parte da conversa é a quantidade de vodka bebida na noite anterior, enquanto eu imagino uma disputa pra ver quem é mais idiota.

Odeio cumprimentar quem eu não tenho intimidade. Odeio chegar em lugares cheios e ter que dar beijinho em um por um. Odeio mais ainda quando eu faço isso pra não me sentir estranha.

Odeio homens que olham para bundas como se admirassem uma carne pendurada no açougue e odeio mais ainda quando fazem bico e aquele sim com a cabeça, tipo "concordo com o mundo que ela é muito gostosa". E se ele fizer aquela chupada pra dentro do tipo "hmmmmm delícia" já é algo que ultrapassa os limites do meu ódio.

Odeio pessoas muito oleosas, muito peludas, muito suadas e atendentes com cara de quem cospe no seu lanche e acima de tudo meninas que cheiram a lavandas e gostam de adesivos de ursinho.

Odeio quem comemora porque passou numa faculdade particular que meu primo de 8 anos passaria.

Odeio os Estados Unidos mas odeio muito mais o fato de a gente ter sangue europeu mas ficar imitando esses estúpidos, que também têm sangue europeu mas são estúpidos por herança criada.

Odeio a frase "eu vou no super, comprar umas cervas para o churras".

Odeio quem casa virgem, odeio quem chega em casa depois de uns malhos no carro e enfia o dedo no meio das pernas porque tava louca para dar mas "ele ia me achar muito fácil". Mas eu também odeio mulher que sai dando pra meio mundo e perde o mistério. Sei lá, essa coisa toda de dar vai ser sempre uma dúvida.

Odeio garotas que se dizem lésbicas e sempre que podem fazem um "lip service" naquele cara gato. Odeio caras que pegam garotas que se dizem lésbicas pra depois sair falando que "ela precisava de um trato".

Odeio adolescentes que perdem a calcinha na festa e depois escrevem no facebook que "vive intensamente".

Quando eu era criança sonhava todas as noites que arrancava os olhos de todo mundo e só eu podia enxergar o quanto era feio eu ser como sou."


texto de Tati Bernardi adaptado

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