
Eu preciso de um copo de leite gelado, ou um copo de vodka, que seja, detesto ambos, mas tenho que colocar alguma coisa na boca, colocar gosto nesse dia que tinha tudo pra ser teu, mas que ás vezes não é. O relógio tique-taqueou e eu não me satisfiz. Eu não me satisfiz, amor. Liguei o som, acendi um incenso, telefonei para a minha mãe, lembrei de gente morta, li trinta e sete páginas daquele livro, bebi uns seis copos de água com gelo e fiz todas aquelas baboseiras que nos mandam fazer para tirar alguém da cabeça. No entanto, você vive em mim amor. Friccionada, carimbada, tatuada, marcada, costurada e - por que não? - aprisionada. Não me satisfiz. Porque tudo parece tão sem sal quando não sai de você, amor. É sem graça, não me atrai, não me puxa do jeito que você faz, não completa, nem identifica. Fico querendo me afundar no colchão, cato livros e revistas para ler, mas ninguém - ninguém - nem mesmo os clássicos cantores, exímios da MPB me levam pro mundo em que eu tenho do seu lado. Você me faz tão ímpar, corrige minhas falhas imperceptíveis, exalta meu lado brando, de modo que só tenho vontade de mergulhar mais e mais nesse nosso mar. Tomo mais um copo de qualquer coisa gelada, lavo o rosto e começo a fazer uma daquelas minhas listas de afazeres, planos e até sonhos. Penso que não posso perder mais nada de mim, não posso esfarelar.
Mas isto é breve. Estou sem coragem ou paciência para ser de outro alguém. Dispenso todas as longas conversas por apenas três palavras, desde que sejam tuas. Acolho tua insônia e tua loucura. Me dá um beijo na testa, menina, que eu descanso em paz.
Texto de zaluzeijos adaptado
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