Apenas acho tão engraçado quando as propagandas de tênis ou de anti-transpirantes ou de cervejas dizem que você é um vencedor, que você nasceu para brilhar como uma estrela. Será que as pessoas não percebem que a vida é composta por essas pequenas humilhações e insucessos sociais? Que a felicidade é uma pequena alucinação entre uma coisa e outra?
Só que é tudo mentira, as ações não geram reações, nem todo crime tem castigo, os bumerangues não voltam para nossa mão, gentileza não obrigatoriamente gera gentileza, na maior parte apenas ingratidão ou uma gorjeta que mal dá para um pingado. Aceite isso. Lide com isso.
Sério, não importa a lorota que contaram a você e você acabou caindo. Essas pessoas com certificados da Microsoft e diplomas da USP tiveram bons mentores, grandes instrutores de carreira, gente de visão, capazes de antever como uma paixão não-correspondida pode foder com a sua vida no futuro. Deveria existir algum programa governamental a fim de catalogar os indivíduos sensatos devidamente, os vencedores e os fracassados, quem sabe através de enquetes (“Então você tem 25 e mora neste quitinete? Hum. Alguma desilusão amorosa recente?”).
Olhe em volta no seu escritório ou onde mais você trabalhe, de toda forma não deve ser muito diferente do clima lá no Sta. Gemma Café. As pessoas destroem a própria espécie com maledicências nos corredores, reclamam do mau uso do toner, depositam toda sua confiança em barras e barras de chocolates Hershey's estrategicamente engavetadas, se arrastam pelas horas com seus corações amputados, aguardando serem comissionadas por suportar o universo. O amor sim, deveria vir descontado no contracheque.
Acho que estou convalescendo de uma reação alérgica-freudiana do universo, aquela vontade de que todo mundo sente de ser despachado de volta ao seio materno quando está com algum problema adulto.

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