Algumas lembranças, os meus fantasmas me dizendo "Buh!"
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
SWU, a Odisséia
Chegamos por volta das 10am, dois amigos iam trabalhar como voluntários no evento e ganhariam o direito de ter convidados. Os voluntários são basicamente pessoas que trabalham 6 horas durante o evento em troca do seu ingresso e um certificado que eu não sei ao certo o que é. Eu e mais três nos dirigimos a "entrada dos voluntários" ou portão 7 e então fomos avisados de que os convidados teriam de esperar. O início seria ás 12:00 horas e a fila gigantesca já havia se formado. O sol não perdoava a imprensa, os voluntários, os pagantes e nem a mim e minha namorada. Decidimos ficar ali mesmo e observar a multidão de pagantes esperar cerca de uma hora/ uma hora e meia, na qual eles entoavam juntos vaias, uma zoada e outra na rede bobo e coros como "é falta de respeito" e "SWU vai tomar no cú", um tanto paradoxal e me fez pensar ou me lembrar de algo como "toda massa é burra". Alguns seguranças jogaram uns 5 copos de água pra refrescar uma multidão. Conseguimos ouvir a polícia informando a imprensa de que a abertura atrasou por causa de pendências por parte do evento, em todo caso, atrasou por causa da polícia. Mas o SWU começou pra mim oficialmente quando a multidão que aguardava a entrada para o seu evento sustentável (repare bem) começou a jogar copos, garrafas e o que mais tivessem a mão nos seguranças que provavelmente ganhariam 60 reais por dia pra se bronzear enquanto a galera adentra ao mundo onde fumar maconha não é crime. Nós observamos enquanto a multidão entrou correndo exatamente como acontece com a boiada e os seguranças entravam em choque com medo da possibilidade de alguém cair e todo mundo se foder. O desfile de camisetas com as cores do reggae, dreads, bandeiras, estampas com a folha verde e frases como "all the nice girls are lesbians" foi um aviso de que eu e ela estávamos no lugar certo. Passamos umas quatro horas ali sentadas esperando a "liberação dos convites" enquanto uns vendiam sua pulseira por R$60,00 uma espécie de câmbio e outros supostamente seriam voluntários mas não resistiram as suas bandas preferidas tocando ali tão perto. Foi quando nós trocamos assim como se comprava antigamente e conseguimos nossa tão esperada entrada. Haviam chegado mais dois convidados, mas esses estavam decididos a "vender um rim pela entrada" palavras do próprio, vamos chama-lo de Branco. O Branco esbravejava como se estivesse pagando aqueles R$200,00 pelo convite e tudo que passava pela minha cabeça era que quando chegasse a hora de nós entrarmos ele iria atrapalhar tudo. Mas Branco surpreendeu, depois que entramos sentindo aquela sensação de que depois de alguns passos existe uma linha que define se você está dentro ou fora, olhei pra trás lá estava Branco comemorando e quase colocando tudo a perder.
Fomos direto atrás de comida, claro, e pra minha infelicidade eu estava na praça de alimentação vegetariana, onde me venderam um sanduíche por R$10,00 de salpicão, só que não tinha salpicão. Nós surpreendentemente fizemos amizades com três caras super tranquilos que nem sabiam que show eles tinham ido ver, e o cara que parece o Fiuk só que de dreads se deliciava com a água com gelo que ele buscava sempre que queria dizendo ser pra Simone. E depois enfiou um cabelo no meu sanduíche e trocou por outro, só que ainda não era de salpicão. Jovens gostam de burlar e não são sustentáveis porque não foram educados assim. Eu que amo hamburguer e batata-frita estava rodeada por yakissoba vegetariano, x-burguer de soja e demais coisinhas vegetarianas que eu admiro os valores nutritivos mas não o sabor. O que eu não sabia é que haviam mais duas praças de alimentação com diversas opções, todas de empresas terceirizadas que montaram suas respectivas barracas. Quando eu comprei uma água ela foi aberta e colocada em um copo, ou seja usaram DUAS EMBALAGENS. Se eu fosse boa com números faria uma conta horrorosa de quantas embalagens desnecessárias. Nesse momento a palavra sustentabilidade foi mais questionada do que quando nós observamos as lixeiras transbordando e o chão todo enfeitado de lixo reciclável. Deve ter sido uma festa pro pessoal da reciclagem.
Nesse ponto nossos amigos estariam cumprindo com êxito seu trabalho como voluntários e ganhando em troca aquelas marcas de sol que fica o desenho exato da camiseta, até então nada de convite para os convidados. E eu espero realmente que eles tenham conseguido seus diplomas de voluntários. Os organizadores foram direto ao ponto quando escolheram a heiniken pra ser a cerveja oficial, pois ela nada mais é do que a cerveja do momento. Afinal o evento tem como ÚNICO objetivo arrecadar dinheiro, o público alvo são os jovens, a tendência é tomar Heiniken e ser sustentável. Venda garantida.
A infra-estrutura era impecável e o lugar tinha o tamanho suficiente pra não haver tumulto até mesmo nos shows mais esperados. Mais ou menos, eu diria, pois deixei de ver o show do Snoop Dog por não suportar multidão, nem a multidão que as pessoas normais não consideram multidão.
Haviam bancos feitos de pneus espalhados, um trabalho interessante que na teoria é fruto de reciclagem, mas os pneus estavam NOVOS, riscados e nenhum banquinho legal era feito de pneu careca. Também tinha uma tenda onde o teto era improvisado com guarda-chuvas, se você deitasse embaixo e olhasse pra cima, com o efeito do vento os guarda-chuvas dançavam causando um efeito quase lisérgico, quase. Foi deitada embaixo da tenda de guarda-chuva que eu reparei que eles eram padrão, com cores repetidas e todos vindo provavelmente da mesma fábrica, no mesmo lote imagino.
Enquanto tudo isso acontecia os helicópteros da polícia militar gastavam combustível, sobrevoando principalmente o show do D2. Houve um momento em que eu achei que eles iam pousar ali no meio ou jogar o helicóptero causando o primeiro massacre de maconheiros da história. Sem esquecer é claro, que quem paga o combustível somos nozes.
O show do SOJA e a mensagem deles fez valer a pena estar ali, cheguei a desejar lá no fundo uma chuva pra lavar a alma, e eu acredito que ali muita gente ia agradecer se a chuva caísse. Afinal os bombatrancers e as biscatrancers estavam bem protegidos no green space. Espaço direcionado aos fritos ou amantes da música eletrônica.
Por julgar que não vale a pena todo o rolê pra ver Raimundos e Cristal Castle no dia seguinte nós decidimos não tentar entrar de novo e voltar ao plano inicial do sábado de ir pra livraria encontrar HQ de The walking dead.
Tudo bem, se isso ainda sim foi sustentável irei admitir que preciso me informar melhor sobre tendências.
foto: Courtney Love and how to make it in America
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