
Vou continuar aqui fazendo de conta que sou mesmo essa fortaleza que tantos pensam e esperar que eu seja. Continuarei então impenetrável, fingindo que nada sinto, simulando que as flechas da injustiça não me perfuraram até as entranhas e que não estou aqui a cuspir pedaços de mim mesma. Aqui estou a cometer o crime inafiançável, o de amar. Interpretarei o monstro que quando chega em casa e se despe da fantasia, prova que também é composto de carne e osso e se desfaz em lágrimas - mas que isso, claro, ninguém vê. Vou seguir o meu caminho ouvindo que as pessoas acham que eu não me importei quando, na verdade, uma opção não exclui necessariamente a outra. A minha vida não é um teste de “assinale a alternativa correta”, é somatória.
É uma grande página onde as coisas e pessoas se interceptam e elas sempre escolhem por quanto tempo pretendem permanecer. Mas esse sentimento, me desculpem, vai permanecer enquanto respirarmos. Prosseguirei então estigmatizada e sendo taxada das piores coisas que alguém pode ter que lidar, mas prosseguirei sempre.
Enquanto isso cada nota vai arrancando um pedacinho de confiança.
Em contrapartida, minha consciência continuará justificando pra mim mesma que, não importa o que os outros pensem ou falem, não existe em mim o cultivo de nada que seja perverso. Nem quando alguém se demonstra verdadeiramente merecedor, porque, no fim, não valeria mesmo à pena.
Espero um dia me deparar novamente com esses fragmentos que me caíram pela estrada e que eu esteja com uma super bonder em mãos porque, sinceramente, eu me importo com a ausência deles. Sim.
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